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O fantasma de Ana Bolena

 

foto por bunnysunday.

Para etrar no clima do Halloween vamos falar sobre um famoso fantasma Tudor, que desperta a curiosidade de muitos ao redor do mundo, o fantasma de Ana Bolena! Se ele realmente existir, o fantasma de Ana Bolena pode ser o fantasma que mais viajou a Grã-Bretanha, se não o mundo! Segue aqui, uma lista de locais onde foi registrado suas ”aparições”.

*Castelo de Hever, seu lar na infância
*Blickling Hall, seu provável local de nascimento
*Torre de Londres, local onde foi executada
*Palácio de Hampton Court e Castelo de Windsor, onde Ana e Henrique residiram durante seu casamento.
*Salle Church em Norfolk, onde foi alegado que o corpo de Ana foi levado depois de seu enterro original na Capela de St Peter ad Vincula na Torre de Londres e secretamente enterrado embaixo de uma laje preta perto dos túmulos de seus ancestrais Bolena.
*Marwell Hall em Hampshire, local de residência dos Seymours entre 1530-1638.

Marwell Hall:

Este é o local no qual se tem menos registros. A única informação é que Ana assombra a trilha de Yew Tree, onde há rumores que Henrique VIII e Jane Seymour passearam enquanto planejavam seu casamento. Diz a lenda que Henrique e Jane estavam em Marwell Hall enquanto Ana estava na Torre a espera de sua execução e que ele havia arranjado tochas sinalizadoras para saber quando Ana fosse executada. Há também rumores, de que Henrique casou-se com Jane primeiro em Marwell Hall no dia 19 de Maio, dia da execução de Ana. Antes de seu casamento oficial em 30 de maio de 1536.

Palácio de Hampton Court:

Em Hampton Court ela é vista usando um vestido azul ou preto e é descrita caminhando lentamente com um triste semblante e às vezes sem sua cabeça. O local, como já podemos ver, possui uma longa lista de aparições, incluindo outras esposas como Jane Seymour, e sua aparição mais famosa, Catarina Howard que segundo relatos assombra a Haunted Gallery, conhecida assim por seu histórico de relatos da aparição de seu fantasma.

Castelo de Windsor:
O castelo de Windsor é o maior e mais antigo castelo ocupado do mundo. No Castelo, o fantasma de Ana é visto em pé olhando de uma janela no Claustro do reitor, outra história afirma que Ana foi vista correndo pelos corredores gritando (às vezes segurando sua cabeça). Este lugar possui uma lista de aparições, que vão de Henrique VIII a sua filha Elizabeth I. Os hóspedes do castelo dizem ter ouvido os passos de Henrique ecoando pelos corredores do Castelo, gemendo e arrastando sua perna ulcerada. A Rainha Elizabeth I, também tem sido vista por vários membros da família real assombrando a Biblioteca Real. Sons de seus saltos altos são ouvidos sobre as tábuas nuas do chão, antes sua figura aparecia passando através da biblioteca rumo a um quarto interno. Ela também tem sido vista em pé em uma janela no Claustro do Reitor (assim como sua mãe), usando um vestido preto com um laço preto caindo sobre seus ombros.

Blickling Hall:

Como sabemos, Blickling Hall é o local onde muitos historiadores modernos, acreditam ser o local de nascimento de Ana. Talvez essa aparição seja a mais difícil de acreditar.Dizem que em 19 de maio, dia do aniversário de sua morte, Ana retorna à Blickling Hall. Uma carruagem vem sendo puxada por seis cavalos sem cabeça, dirigida por um cocheiro sem cabeça. Ana fica dentro, vestida de branco e carregando sua cabeça decepada em seu colo. Quando Ana chega as portas da frente, a carruagem e os cavalos desaparecem e ela segue para dentro de Blickling, onde vagueia pelos corredores até o amanhecer. Alguns dizem que o condutor da carruagem que leva Ana até Blickling Hall não é ninguém menos que seu pai, Thomas Bolena. Após deixar sua filha à meia-noite nos portões dianteiros do local, Sir Thomas continua seu trajeto, sendo perseguido por hordas de demônios amaldiçoando-o por sua traição à família. Ele é forçado a dirigir sua carruagem espectral por mais de 12 pontes que se encontram entre Wroxham e Blickling, até que cumpra 1.000 anos de penitência…

Hever Castle:

Dizem que foi em Hever Castle, o lar de infância de Ana Bolena, que Henrique VIII a cortejou debaixo do grande carvalho, que ainda está de pé. Toda véspera de Natal, ela tem sido vista cruzando a ponte sobre o rio Éden no terreno do castelo. Ela também tem sido vista em pé sob o mesmo grande carvalho citado anteriormente.

Rochfor Hall:
Rochford Hall, em Essex é uma mansão que dizem ter sido o primeiro local onde o rei Henrique VIII lançou olhares para a jovem Ana Bolena. Os Bolenas foram donos da casa a partir de 1515, e dizem que no local houveram reuniões secretas entre o rei Henrique VIII e Ana. Há ainda rumores de um sistema de túneis secretos sob a casa, e que o Rei usava-os quando queria uma rota de fuga discreta para deixar o local.

De acordo com um proprietário anterior, há histórias de avistamentos de uma mulher sem cabeça e sensação de frio extremo em um dos quartos. É este o fantasma de Anne Boleyn?

Torre de Londres:

Sem dúvidas o lugar mais ativo de todos. A Torre de Londres havia sido palco de muitas execuções ao longo dos anos, e a carga emocional guardada neste local, sem dúvidas é algo muito forte a se sentir. Se de fato é verdade que os fantasmas sobrevivam por memórias emocionais de alguém que sofreu uma morte violenta, é bastante compreensível que haja um bom tanto deles na Torre. Dizem ser o edifício mais assombrado em Londres, se não em toda a Inglaterra.

O fantasma de Ana Bolena, é visto em vários locais na Torre – na Torre Branca, Casa da Rainha, onde ela supostamente passou a noite antes de sua coroação e também durante sua prisão antes de sua execução; na Torre Verde, local do patíbulo, e da Capela de São Peter ad Vincula, onde foi enterrada sob o piso da capela-mor, em uma caixa de arcos.

No ano de 1817, um sentinela patrulhando a Torre Branca sofreu um ataque cardíaco fatal após encontrar o fantasma de Ana Bolena em uma escada. Em 1864, um sentinela de guarda do lado de fora da Casa da Rainha, relatou ter visto um vulto branco de uma mulher envolta em névoa, ela estava usando um vestido Tudor e um capelo francês, no entanto, não via-se o rosto. Ele continuou andando em sua direção, e chegou a empurrá-la com sua baioneta. O que aconteceu em seguida fez com que ele desmaiasse – sua baioneta atravessou a figura e um tiro correu de seu fuzil, dando-lhe um choque. O sentinela foi submetido a corte marcial por adormecer durante sua vigia. Quando muitas testemunhas disseram à corte que também viram a mulher sem face na Torre Verde naquela noite, ele acabou não sendo condenado. Um policial que viu o evento à partir de uma janela na Torre sangrenta testemunhou que havia ouvido o sentinela gritando para a figura parar e enfiando a baioneta por ela. Ele viu a baioneta passar através da figura.

Ana também assombra a Capela Real de Saint Peter ad Vincula, onde está enterrada. No final do século XIX, um capitão da Guarda notou uma luz acesa na capela trancada à noite. Ao encontrar uma escada e colocá-la contra uma das janelas da capela, ficou chocado com a cena que se desenrolava na capela aparentemente ”vazia”. Tal cena é descrita por um trecho do “Ghostly Visitors” por “Spectre Stricken”, Londres 1882:

“Lentamente, a passagem sobre os bancos moveu uma imponente procissão de cavaleiros e damas vestidos em trajes antigos, e na frente caminhava uma elegante mulher cujo rosto não conseguiu ver, mas cuja figura muito se assemelhava ao renomado retrato que havia visto de Ana Bolena. Depois de terem repetidamente andado pela capela, a procissão inteira junto com a luz desapareceu. “

Vídeos:

No vídeo a seguir “Ghost Stories – The Tower of London”, há alguns grandes clipes da Torre de Londres, com o adendo de que Ana nunca foi presa na Casa da Rainha (construído na década de 1540) e que não há evidências de que tinha seis dedos na mão ou pé. Desconsiderem tais informações!

Fontes:

On The Tudor Trail: AQUI.

Hampshire Legends, Ghosts and Apparition

Ana Bolena Parte II – A corte Margarida da Áustria

Estátua de cera de Ana Bolena.

Com sua carreira diplomática como embaixador e com seu brilho e charme, Thomas Bolena ganhou muitos admiradores por toda a Europa. Quando foi enviado em uma missão diplomática para a Holanda em 1512/1513, ele conheceu a influente Margarida, arquiduquesa da Áustria e regente dos Países Baixos. Thomas deparou-se com uma mulher brilhante, bem educada e muito culta e  impressionou-se com sua corte, que na época era conhecida como o que Eric Ives descreve ”A meca do comportamento aristocrático’‘. Ai estava a deixa, Thomas Bolena sempre prezou em dar uma boa educação para seus filhos e a corte de Margarida, seria um ótimo local para sua inteligente filha Ana Bolena aperfeiçoar sua aprendizagem. Jovens, homens e mulheres com cargos na corte da arquiduquesa eram nada menos que, o sobrinho Habsburgo de Margarida, príncipe Charles e suas sobrinhas, princesa Eleanor, princesa Maria, princesa Isabella e outras crianças da “elite Europeia.” A afinidade de Margarida e Thomas foi tão imediata, que ela ofereceu a sua filha Ana, um lugar em sua Corte.

Retha Warnicke descreve um episódio interessante entre o pai de Ana Bolena e a arquiduquesa. Em agosto 1512, os dois encontravam-se em tão boas condições, que Margarida chegou a fazer apostas com Thomas, de que seu pai, o imperador, lhes permitiriam concluir suas negociações dentro de dez dias. Se Thomas ganhasse a aposta, Margarida lhe daria como prêmio um Corcel espanhol, mas se Margarida ganhasse, então Thomas lhe daria “um hobby” (antiga raça extinta de cavalos irlandeses). Warnicke diz que “como Margarida havia pedido-lhe tal cavalo, ela certamente conhecia sua família, pois Thomas era um herdeiro do condado irlandês de Ormond e tais corcéis eram associados a este país.”

Após o retorno de seu pai à Inglaterra, na primavera de 1513, Ana foi enviada com uma escolta para completar sua educação e servir de Dama de Companhia a arquiduquesa. Tão logo chegou, Ana impressionou Margarida com sua postura e inteligência. Em uma carta endereçada a Sir Thomas Bolena, logo após a chegada de Ana na Holanda, Margarida a elogiou dizendo:

“Recebi sua carta pela Bouton Esquire que apresentou sua filha a mim, ela é muito bem-vinda e estou confiante de ser capaz de lidar com ela de uma forma que lhe dará satisfação, de modo que em seu retorno, não precisaremos de nenhum intermediário para nós dois. Ana é tão agradável para sua tenra idade que estou mais em dívida com você por tê-la enviado, que você a mim. “

Muitos historiadores usam esta carta como prova de que Ana tinha sete anos e não 12 em 1513, pois a arquiduquesa refere-se a sua tenra idade, porém é bastante provável que ela quisesse apenas ressaltar o quão precoce era Ana por ser mais nova que as outras “demoiselle d’honneur”.

Ana foi citada em uma lista junto com outras 18 “filles d’honneur” em um jantar com o Barão de Reiffenberg – “Chronique de Métrique Chastellain et de Molinet “:

“Aultre plat pour les filles d’honneur et aultres femmes ordonnés par Madame de manger avec elles que sont XVIII, assavoir:-

Mesdames de Verneul, Waldich, Reynenebourg, Bréderode, d’Aultroy, Hallewyn, Rosimbos, Longueval, Bullan, les II filles Neufville, Saillant, Middelbourg, Cerf, Barbe Lallemand et la mère.”

Ao conviver com a arquiduquesa, Ana Bolena havia obtido elementos especiais de conhecimento que não estavam escritos no livros, os de como se comportar e viver em uma corte real. Na verdade, foi Margarida quem aconselhou Ana que, ”confiar naqueles que estão à seu serviço, irá colocá-la na fileira daqueles que foram enganados.” Ana lembraria deste conselho pelo resto de sua vida.

Margarida da Áustria.

Margarida da Áustria.

Na corte, Ana aprendeu francês com o auxílio de um tutor chamado Semmonet. Ela começou suas aulas de escrita que baseavam-se na cópia do que haviam escrito e em seguida passou para ditados. Ana desenvolveu também sua conversação e comportamento, e enquanto esta lá, estudou arte, cultura, dança, literatura, música e poesia. O acesso que teve à magnífica biblioteca de Margarida permitiu-lhe ver e apreciar manuscritos ilustrados, trabalhos históricos, livros de música, poesia e obras de autores como Esopo, Aristóteles, Boccaccio, Boécio, de Christine Pizan e Ovídio. Hugh Paget (autor de Margarida da Áustria, regente da Holanda) cita Jane de Longh, dizendo sobre a corte de Margarida: -

“Os nobres e damas de sua corte refletem a influência dos gostos e preferências de sua senhora. Eles compõem música, escrevem poesia e recitam nesta pequena corte no silêncio e reclusão de Malines. “

Sem dúvidas o tempo em que passou na corte de Margarida, mudaria a vida de Ana para sempre. Seu amor pela arte, música, poesia e manuscritos ilustrados, tiveram início na corte da Arqueduquesa. Eric Ives escreve sobre como “mais tarde na vida, Ana ficou fascinada com tecidos e cores”, amor esse que deve ter surgido devido as tantas tapeçarias presentes na corte de Margarida. Ana também foi patrona do artista Hans Holbein, assim como Margarida, que havia dado seu patrocínio para grandes artistas do continente.

Eric Ivesdiz que o Palácio de Margarida da Áustria também fez com que Ana Bolena apurasse seu gosto na arquitetura. Ele diz que foi pela face sul do palácio de Margarida, que Ana teria conhecido um tijolo local modelado, em um estilo semelhante ao de Hampton Court Palace.

Por fim, Hugh Paget fala sobre as “consequências importantes” com o tempo que Ana passou na Corte de Margarida : -

”Foi a base de seu conhecimento em francês e “outras realizações da corte”, o que a levaria a ser escolhida por Maria Tudor em 1514 para servi-la.
As habilidades que aprendeu em Mechelen, que foram então, desenvolvidas na França, provavelmente a fizeram “um consorte digna” de Henrique VIII.
Seu tempo em Mechelen pode ter tido um efeito sobre o desenvolvimento da música e da arte na Inglaterra. O estilo flamengo de música tornou-se popular e Paget aponta que os Bolena eram patronos da Gerard e Hornebolt Lucas, a quem somos devedores pela fundação da arte dos retratos em miniatura na Inglaterra. “

Com tudo isso, podemos concluir que Ana Bolena foi muito bem instruida durante sua estada de apenas 15 meses na corte de Margarida, e que o que vivenciou e aprendeu lá, mudariam sua vida para sempre, preparando-a para seu futuro, que nem ela podia imaginar ser tão grande, ser rainha da Inglaterra.

 

Ana tocando seu alaúde.

Ana tocando seu alaúde.

Fontes:
Katelyn coments: AQUI.

Citações de Hugh Paget.

Carta de Ana Bolena à seu pai.

Livro: The life and death of Anne Boleyn.

Ana de Cleves- A quarta esposa de Henrique VIII

“Senhor, se não fosse para satisfazer meu reino e a todos,
eu não faria o que tenho de fazer hoje por nada na mundo.”
*Henrique VIII a Cromwell no dia de seu casamento com Ana de Cleves

Ana de Cleves (Alemão: Anna von Jülich-Kleve-Berg, Holandês: Anna van Kleef, Inglês: Anne of Cleves)

Casa Real: La Marck (nascimento) e Tudor (casamento)

Nascimento: 22 de Setembro de 1515

Casamento com Henrique VIII: 6 de Janeiro de 1540 no Palácio de Greenwich

Anulação do casamento com Henrique VIII: Julho de 1540

Morte: 16 de Julho de 1557 em Chelsea Manor, Londres.

Funeral: 03 de Agosto de 1557 em Westminster Abbey
Vida:
Ana nasceu em 1515 em Düsseldorf Alemanha, segunda filha de John III da Casa de La Marck, duque de Jülich Cleves e Berg, Conde de Mark e Ravensberg (que morreu em 1538) e sua esposa Maria Duquesa de Julich Berg (N. 1491 – M. 1543). Ela cresceu em Schloss Burg à margem de Solingen. O pai de Ana foi influenciado por Erasmo, seguindo um moderado caminho dentro da Reforma. Ele ficou do lado da Liga de Schmalkaldic em oposição ao Imperador Carlos V. Após a morte de John, o irmão de Ana William tornou-se duque de Jülich-Cleves-Berg, tendo o epíteto promissor de “O Rico”. Em 1526, sua irmã mais velha Sybilla casou-se com John Frederick, eleitor (ou príncipe eleitor) da Saxônia, cabeça da confederação protestante da Alemanha, considerado o “Campeão da Reforma” que tinha ódio mortal ao Imperador por sua aceitação do Ducado de Guelders.

Com 12 anos de idade (1527) Ana estava prometida a Francis, filho e herdeiro do Duque de Lorraine, enquanto este tinha apenas 10 anos. Assim, o noivado foi considerado “não oficial” e acabou sendo cancelado em 1535. Seu irmão William era luterano, mas sua família estava desalinhada religiosamente com sua mãe a duquesa Maria descrita como uma “católica devota”.

Aliança Tudor:

Henrique VIII permaneceu solteiro por mais de dois anos após a morte de Jane Seymour, possivelmente pelo fato de tê-la realmente amado e se lamentado pela perda. No entanto, parece que alguém, possivelmente Thomas Cromwell, começou a procurar-lhe uma nova esposa estrangeira logo após a morte de Jane.

O Primeiro casamento de Henrique foi uma aliança política entre países,  (na verdade para seu irmão Arthur porém, após a morte deste, o trono e a esposa passaram para o irmão mais novo, no caso Henrique) embora seja quase certo que os dois estiveram realmente apaixonados por algum tempo. Suas duas próximas alianças foram por amor e Henrique poderia ter tido pouco ou nenhum ganho monetário ou político a partir deles.

Com o rompimento com Roma a Inglaterra ficou isolada e provavelmente vulnerável. Foi esta circunstância que levou Henrique e seus ministros a examinarem a possibilidade de uma nova aliança. Ele também quis ter certeza de que tal noiva era atraente, enviando vários agentes e pintores para cortes estrangeiras para relatá-lo sobre a aparência e outras qualidades das candidatas.

Hans Holbein, o mais famoso pintor da corte Tudor, foi enviado em 1539 por Henrique para a corte do Duque de Cleves, que tinha três irmãs: Sybilla (já casada), Amélia e Ana. Holbein pintou as irmãs do Duque de Cleves e Henrique decidiu ter um contrato elaborado para seu casamento com Ana. Naquela época a Inglaterra era vista como um importante aliado em potencial contra a França e o Sacro Império Romano, que após uma trégua decidiram mover-se contra os países que haviam habdicado da autoridade papal e a Inglaterra estava interessada em buscar alianças com países que pudessem apoiar a reforma da igreja. A disputa do Duque de Cleves com o Imperador por Gelderland fez aliados adequados para o Rei da Inglaterra na Trégua de Nice(Truce of Nice). A aliança com Ana foi então soliciatada ao Rei por seu chanceler, Thomas Cromwell.

Finalmente, em 06 de outubro de 1539, o tratado de casamento com Cleves foi finalizado, apenas 2 meses após Holbein ter feito seu retrato. A princesa Ana estava agora destinada a ser rainha da Inglaterra. No dia 11 de dezembro Ana estava em Calais à espera de um vento favorável para levá-la a Dover. Ela esteve lá por quase duas semanas, enquanto Henry esperava em Greenwich. Finalmente, em 27 de dezembro ela desembarcou em Deal – em seguida, viajou para Dover e Canterbury antes de chegar em Rochester em 1 de janeiro de 1540. Henrique, desesperado para ver sua noiva em pessoa, correu disfarçado com um manto para encontrá-la, para ” assim, nutrir amor” (Thus nourish love), disse Cromwell.

 

Assinatura de Ana de Cleves.


Ana chega à Inglaterra:

1539
Este ano no Dia de São João, 27 de dezembro, Lady Ana filha do Duque de Cleves, desembarcou em Dover às 5 horas da manhã e lá foi honrosamente recebida pelo duque de Suffolk e outros grandes senhores e assim apresentada ao castelo. Na segunda-feira seguinte ela partiu rumo a Canterbury, onde foi honrosamente recebida pelo arcebispo de Canterbury e outros grandes homens. Foi apresentada ao palácio do Rei em St Austin onde fizeram uma grande festa. Na terça-feira Ana seguiu rumo a Sittingbourne.

1540
Na véspera de Ano Novo, o Duque de Norfolk seguido de cavaleiros e barões do Tesouro receberam sua graça 2 milhas além de Rochester e então seguiram rumo a abadia de Rochester, onde permaneceram naquela noite e por todo o dia de Ano Novo. Na tarde do dia de Ano Novo, vossa graça o rei, junto com cinco membros de sua câmara privada, disfarçados com capas com capuzes para não serem reconhecidos foram secretamente a Rochester, onde Henrique subiu para a sala onde Lady Ana estava. Ao entrar encontrou-a olhando para fora de uma janela, assistindo a uma tourada que estava acontecendo no pátio, quando de repente a abraçou e roubou-lhe um beijo, mostrando um presente que havia a enviado de ano novo. Envergonhada e sem saber quem era tal pessoa (afinal ele estava disfarçado) agradeceu timidamente. Esse foi o primeiro contato que tiveram. Ana mal falou com o desconhecido, mostrando mais interesse para o evento que ocorria fora da janela … ao ver que Ana mal prestava atenção a ele, Henrique então entrou em outra sala, tirou o manto e voltou com um casaco de veludo roxo. Quando os senhores e cavaleiros viram sua graça lhe fizeram reverência e então sua lady Ana humildemente saudou vossa majestade e sua graça saudou-a novamente. Com seu orgulho ferido o rei então disse a todos: “Eu gosto não ela!”.

Mesmo não gostando de Ana, Henrique não poderia esquivar-se de sua aliança com Cleves.
O casamento ocorreu em 6 de janeiro de 1540 com o noivo protestando por cada passo rumo ao altar. Ana de Cleves, que mal conseguia falar Inglês, estava em uma terra estrangeira sendo desprezada por seu pretendente a marido! A confusa jovem foi levada a uma cerimônia de casamento privada em Greenwich, trajando um belo vestido de tecido prateado adornado com pérolas e pedras, junto com uma coroa cheia de pedras preciosas e ramos de alecrim presos em seus cabelos, sendo seguida por todas as suas damas de companhia. Ao fim, porém não menos humilhante, seguiram ao leito matrimonial. A união não foi consumada, um assunto no qual Henrique fazia questão de falar abertamente, mostrando sua revolta. Por boa parte do casamento Henrique e Ana dividiram o mesmo leito, apenas para dormir…
Primeiramente Ana não fazia idéia de que seu marido estava descontente com ela e até chegou a comentar com suas damas: “Quando ele vem para a cama, beija-me, toma-me pela mão e diz: Boa noite.” Uma de suas damas, Eleanor Paston- Condessa de Rutland, teve que alertá-la que tal ato não era o suficiente para causar uma gravidez.

Divórcio e fim da vida:

Após alguns meses, a aliança franco-imperial mostrou sinais de enfraquecimento natural. Ao saber de tal notícia Henrique rapidamente quis terminar seu quarto casamento e disse a Cromwell para tratar de organizá-lo.

Eventualmente Ana soube que seu marido queria livrar-se dela, chamando-a de “Mare Flandres”. Ela era astuta o bastante para perceber que sua vida estava em perigo. Para espanto de Henrique, ela cooperou com seu desejo de obter a anulação. Quatro meses após seu casamento, Henry encontrou uma nova amante, Catarina Howard, que igualmente a muitas de suas esposas anteriores, era dama de companhia de sua rainha. Em julho do mesmo ano, Henrique teve seu casamento anulado por motivos de não consumação do mesmo e por Ana ter sido prometida para o filho do duque de Lorraine. Em 09 de julho, o Parlamento declarou o casamento nulo e sem efeito.  Ana passou a ser chamada de “querida irmã do rei”, recebendo uma considerável renda e imóveis na Inglaterra. Henry ficou tão satisfeito com essa inesperada docilidade, que lhe deu o status de segunda mulher aos olhos do rei (algo como favorita, pessoa na qual ele tem carinho e atenção) abaixo apenas de suas filhas, as princesas Mary e Elizabeth, ambas as quais vieram a fazer amizade com Ana.

Aliviada, a ex-rainha recebeu uma generosa pensão, incluindo o Palácio de Richmond e o Castelo de Hever (ver artigo Hever Castle: O lar de Ana Bolena), casa dos ex sogros de Henrique, os Bolena. Ana permaneceu na Inglaterra e nunca mais se casou. Henrique muitas vezes chamou-a de sua irmã e a convidou para a corte. Foi dado um subsídio de 4 000 libras por ano, que incluia duas casas e serviço doméstico. Este acordo a satisfez e aliviou-a, pois quando descobriu que Henrique estava prestes a dar um fim em seu casamento, tinha certeza de que iria seguir os passos de sua segunda esposa Ana Bolena. Ela e o Rei permaneceram amigos e Ana continuou a manter contato com suas enteadas, a primogênita Maria e a mais nova Elizabeth. Mesmo após a anulação, Lady Elizabeth iria continuar a visitar sua ex-madrasta em Richmond. Após Catarina Howard ser decapitada, o irmão de Ana – Duque de Cleves, pressionou o rei a casar-se novamente com ela, algo que Henry prontamente recusou-se a fazer. Ana parece ter gostado de Catarina Parr, porém teria reagido à notícia do sexto casamento de Henry como uma brincadeira cruel: “A senhora Parr está tomando uma grande carga sobre si”. Em março 1547 o conselho privado de Eduardo VI pediu-lhe para sair do Palácio de Bletchingley, sua residência habitual, rumo ao Palácio de Penshurst para dar lugar a Thomas Cawarden – Mestre de cerimônias. Eles viram que Penshurst era mais perto que Hever, a mudança havia sido vontade de Henrique VIII. Mais tarde esteve presente junto com Elizabeth na coroação de Maria.

Essa foi sua última aparição pública. Como a nova rainha era uma católica devota, Ana então converteu-se novamente, tornando-se então católica romana. Meses mais tarde, Ana escreveu a Maria I para felicitá-la por seu casamento com Felipe de Espanha. No entanto, Ana raramente visitou a corte durante o reinado de Maria, pois gostava de gerir seus próprios bens.

Desde sua chegada como noiva do rei, Ana nunca deixou a Inglaterra: quando seu casamento foi anulado, ambos seus pais haviam morrido e seu irmão, um luterano devoto, não aprovou sua adesão ao anglicanismo. Como uma mulher de meios, possuia liberdade para fazer o que quisesse e como nunca mais se casou, nunca mais teve um marido ou irmão para obedecer.
Ela tinha mais liberdade na Inglaterra do que em Cleves e se tivesse voltado para seu país, teria perdido sua parte no acordo. Três meses após o divórcio, foi relatado pelo embaixador francês que a “Dama de Cleves’’ possuia um semblante mais alegre do que nunca. Ela usava uma grande variedade de vestidos e passava todo o seu tempo em esportes e recreações.” (E é provável que tenha achado Henrique tão pouco atraente como ele diz tê-la achado).

Quando a saúde de Ana começou a fraquejar, Maria I lhe permitiu viver em Chelsea Old Manor, onde a última esposa de Henrique, Catarina Parr, viveu após seu segundo casamento. No meio de julho de 1557, Ana ditou sua última vontade em seu testamento. Nele mencionou seu irmão, irmã e cunhada, bem como a futura Rainha Elizabeth, a duquesa de Norfolk e a Condessa de Arundel. Ela deixou dinheiro para os seus servos e pediu a Maria e Elizabeth para empregá-los em seus lares.

Ana morreu em Chelsea Old Manor em 16 de julho de 1557, oito semanas antes de seu quadragésimo segundo aniversário, 17 anos após divorciar-se de Henrique VIII. A mais provável causa de sua morte foi câncer. Ela foi enterrada na Abadia de Westminster em 03 de agosto, ao lado oposto do santuário Eduardo o Confessor, um lugar segundo dizem, um pouco difícil de achar.Ela foi a única esposa de Henrique a ser enterrada na Abadia. Ela também tem a distinção de ser a última das esposas de Henrique VIII a morrer (ela viveu por mais 09 anos após a morte da última esposa de Henrique, Catarina Parr). Ela não foi a mais longeva, uma vez que Catarina de Aragão morreu com 50 anos e Ana com 41. Ana foi lembrada por todos que lhe serviram como uma mulher amável, generosa e tranquila.

Henrique VIII e Ana de Cleves.

Acredita-se que Henrique VIII muitas vezes referiu-se a Ana como uma amiga e que ela chegou a aconselhá-lo em muitas questões durante seu reinado. Ana, a amada irmã do rei, uma pessoa que Henrique amou, mas não como mulher.

Ana Bolena Parte I – Primeiros anos

A biografia de Ana Bolena será dividida detalhadamente em inúmeras partes e postadas a cada semana aqui no Tudor Brasil.


”Vênus era loira, eu tenho dito: Agora eu vejo que é morena!”
Francisco I da França.

Nome: Ana Bolena (Inglês: Anne Boleyn)

Nascimento: Entre 1500 e 1509

Provavelmente em Blickling Hall

Casamento com Henrique VIII: 25 de Janeiro de 1533

Execução: 19 de Maio de 1536 – Torre de Londres

Funeral: 19 de Maio de 1536
Capela de St. Peter ad Vincula, Torre de Londres

Primeiros anos:
Ana Bolena era filha de Thomas Bolena, um cortesão Tudor em ascenção e de sua esposa Elizabeth Bolena (Lady Elizabeth Howard), filha de Thomas Howard 2º Duque de Norfolk. Ana descendendia de Eduardo I através de ambos os pais, portanto tinha sangue real. Hugh Paget comentou que sua ascendência real combinada com “os excepcionais dons que lhe foram dotados, desenvolvidos ao máximo em duas das cortes mais altamente cultas na Europa, a fizeram uma consorte digna de Henrique VIII”. A real data de nascimento de Ana Bolena gera controvérsias, Antonia Fraser cita o nascimento de Ana por volta de 1500/1501, no final de maio ou início de junho. No entanto, outros historiadores citam o nascimento de Ana por volta de 1507/1509.

Família:
Seu pai Thomas Bolena, era filho de Sir William Bolena, Alto Xerife de Kent e Lady Margaret Butler. O bisavô paterno de Ana, Geoffrey Bolena, foi um comerciante de tecidos finos que ascendeu na vida, terminando como Lord Prefeito de Londres. Sua mãe Elizabeth Howard era filha de filha de Thomas Howard, 2 º Duque de Norfolk e Elizabeth Tilney, uma mulher que havia servido como dama de compania de Elizabeth Woodville e como atendente pessoal de Elizabeth de York. Seus pais se casaram por volta de 1498/1499.
Quanto aos seus irmãos, sem dúvida os mais conhecidos são Maria e George, mas Ana teve mais dois irmãos que morreram na infância. A data de nascimento de Maria também gera controvérsias, devido à relatos da época, é provável que ela tenha sido mais velha que Ana, tendo nascido no início do casamento de seus pais, em 1499/1500. Quanto a George, é mais provável que tenha nascido por volta de 1504, pois não recebeu sua primeira concessão real até 1524 e Jean du Bellay (cardeal francês e diplomata), considerou George muito jovem para ser embaixador na França no ano de 1529.

Assinatura de Ana Bolena.

Assinatura de Ana Bolena.

Controvérsia da data de nascimento:
Os únicos dados que temos sobre seu nascimento, são hipóteses baseadas em fontes de historiadores do século XVII. É provável que Ana tenha nascido em Blickling Hall, pois esta era a residência de sua família na época, apenas depois mudaram-se para Hever Castle. Mas é inevitável que dúvidas apareçam, como por exemplo, ela era uma jovem de 18 ou uma mulher de 25, no momento em que o Rei começou a cortejá-la!? Ela tinha 28 ou 25 anos na época de sua execução!? Segundo Garreth Russel, no artigo: THE AGE OF ANNE BOLEYN:

“Se Ana tinha 28 anos quando morreu, como uma de suas damas de companhia alegou, as razões por trás de sua execução tornam-se infinitamente mais sinistras, pois com 28 anos, Ana Bolena ainda estava inegavelmente em seus anos férteis. Sim, estaria chegando ao fim deles para os padrões Tudor, mas teria tido pelo menos quatro ou cinco anos até ser considerada infértil e assim a idéia de que foi apenas seu “fracasso” em produzir um filho que levou a sua morte em 1536 torna-se de repente algo menos convincente e a idéia de que seu marido orquestrou sua morte passa a tornar-se infinitamente mais provável. No entanto, se tinha 35 anos, então já estava praticamente na meia-idade para os padrões Tudor e torna-se muito mais provável que toda a razão para sua destruição fosse pura e simplesmente política, com Ana e até certo ponto talvez até mesmo seu marido – sendo vítimas de um processo selvagemente brilhante de assassinato, mentiras, histeria fabricada e um cruel golpe palaciano organizado pelo principal conselheiro do rei, Thomas Cromwell “.

Se Ana tivesse nascido em 1501, no momento do nascimento de sua filha Elizabeth, ela teria 32 anos de idade, bem fora dos padrões fertéis Tudor. Esta era a idade em que Catarina de Aragão havia tido sua última gestação, então porque uma nova rainha iria ter seu primeiro filho exatamente na época em que sua antecessora foi considerada estéril!? Entretanto, no fim de sua vida, o embaixador espanhol Eustace Chapuys, referiu-se a ela como uma “mulher elegante e velha”, sendo mais provável que ela tivesse 35 e não 28 anos.
Mas este pode ter sido um comentário rancoroso afinal, ele nunca gostou dela e poucos meses antes de sua execução ele a havia descrito como jovem.

Porém  em 1520, época em que Ana, se tivesse nascido em 1501, estaria no final de sua adolescência, com quase 20 anos,  criados do palácio referiram-se a ela como “jovem”, enquato o cardeal Pole descreveu-a como “muito jovem”, e em 1529, Cardeal Wolsey descreveu-a como uma menina, algo improvável para uma mulher de 28 anos. Mas ai surge outra controvérsia, em 1514, o pai de Ana, Thomas Bolena, em 1514, pediu a Margarida da Áustria que liberasse Ana de seus cuidados, para que ela pudesse voltar à Inglaterra a fim de acompanhar a irmã de Henrique VIII em sua jornada para França para casar-se com Luís XII. Se ela tivesse apenas 7 anos na época, ela de fato não teria idade para ser uma dama de companhia! Também temos que lembrar que Nicholas Sander em seus registros, relatou que no momento em que viajou à França, Ana possuía 15 anos, uma idade que bate para tal cargo.

Enfim, nunca saberemos ao certo!

Fontes:

Artigo de Garreth Russel – The Age of Anne Boleyn.

Citações de Hugh Paget.

Wikipédia.

Livro: The life and Death of Anne Boleyn.

 
tudorose

Higiene Tudor- Parte 2

Louças Tudor em Hampton Court Palace

Como já haviamos visto os Tudors eram geralmente aceitos como tendo uma ligação com sujeiras e doenças, porém tentavam sempre manter suas casas limpas. O que não era uma tarefa fácil, considerando que a maioria das casas tinham pisos de terra, que eram de dificil manutenção e estavam sempre empoeirados. Utensílios domésticos como pratos e tigelas eram geralmente feitos de madeira, posando outro desafio para as donas de casa que precisavam mantê-los limpos, sem a ajuda dos produtos de limpeza atuais.

Se você fosse rico, provavelmente teria piso de pedra e utensílios de estanho, mas seus empregados ainda teriam de limpá-los com os mesmos materiais que qualquer Tudor, independente de sua classe social teria a sua disposição.

O trabalho de uma dona de casa Tudor era difícil. Mesmo antes de iniciar suas tarefas ela precisaria localizar um suprimento adequado de água e pelo fato da água ser pesada para o transporte, muitas tarefas diárias teriam sido realizadas fora de casa até mesmo no inverno. Isto também eliminaria os problemas associados com a eliminação da água residual. Ao contrário de hoje, não havia ralos dentro de casa na qual a água suja pudesse ser eliminada e por isso tinham de carregar a água residual para fora de casa para “sumidouro” ou um buraco no solo.

Alison Sim afirma que um dos trabalhos mais básicos que uma dona de casa Tudor tinha que fazer era lavar louças. O que teria sido um trabalho bastante demorado em vista que tudo, (desde vasilhas de leite a talheres) teria de ser lavado.

Hoje podemos usar detergentes para esta tarefa em particular, mas os Tudors normalmente usavam areia de rio afiada. Alison também descreve como uma planta conhecida como cavalinha (Equisetum telmateia) também foi usada para limpar qualquer coisa desde de madeira a armaduras. Esta planta foi um importante agente de limpeza Tudor.

Se lavar louças já parece exaustivo, imagine lavar roupas! Se você pudesse pagar, contrataria uma lavadeira, pois este era um trabalho muito mais demorado.

Como já mencionado na primeira parte deste artigo, os Tudors tomavam bastante cuidado em garantir que sua roupa estivesse sempre limpa, uma vez que isso era sinal de respeito. Todos tentavam trocar suas roupas diariamente, os mais ricos mudavam várias vezes ao dia, mas não era apenas para essa finalidade que era necessário lavar roupas. Toalhas e lençóis também necessitavam ser lavados e muitas eram limpos por um processo denominado “bucking”. Alison Sim descreve o processo em detalhes:

“Era uma grande banheira, mais parecida com um barril, que se sustentava sobre um suporte que a elevava a um pé do chão. Ela tinha uma torneira cerca de um centímetro acima do fundo. Uma banheira de madeira rasa era colocada sob a torneira. Encher a banheira era uma tarefa bastante complicada, pois a roupa tinha de ser dobrada e colocada de forma que a água derramada atravessasse toda a roupa e assim a água suja não manchasse o material. Varas eram colocadas entre o feixe das roupas, de modo que a água pudesse passar livremente.”

Uma vez que a banheira fosse cheia com roupas, ley seria derramada no barril. Esta “solução alcalina forte” era feita para fazer a água passar através de cinzas limpas de madeira ou de samambaias secas.

Uma vez que a roupa fosse deixada de molho, o ley seria dispersado através de uma torneira no fundo da banheira e em seguida, as roupas seriam viradas. Uma vez que a sujeira fosse dissolvida, a roupa era lavada em água corrente e se necessário “também branqueada ao sol e vento, colocando-a no chão ou sobre um arbusto e molhando-a repetidamente”. Este elaborado processo era executado diariamente!

O Bucking era excelente para materiais mais resistentes, mas o  delicado tecido usado pelos mais ricos não poderia ser exposto a tal processo. Ao invés disso, poderia ter sido lavado com água e sabão.

O “sabão-negro”, como era conhecido, tinha consistência “gelatinosa” e era feito com gordura fervente e soda cáustica. Quando armazenado em barris parecia negro, por isso seu nome. Alison Sim afirma que o sabão gerava uma indústria de grande escala no século XVI, o que sugere que a maioria das pessoas compravam seu sabão ao invés de fazê-lo.

A lavadeira de Henrique VIII, Anne Harris, usava sabão para executar suas tarefas de lavagem reais, conforme registrado nas contas financeiras da época.

Anne Harris, a lavadeira do Rei lavava suas toalhas de mesa e toalhas e fornecia ervas para manter a roupagem perfumada. Ela recebia 10 libras por ano, o que era um bom salário, mas foi afirmado muito especificamente que ela devia fornecer seu próprio sabão. “

Os deveres da lavadeira não terminavam por ai. No século XVI roupa limpa era um sinal de respeito, mas linho branco era um sinal de riqueza. Quanto mais branco o linho, mais rico o proprietário. Se você pudesse pagar, você compraria sua roupa já branqueada, mas se não pudesse, compraria “não-branqueada” que era uma cor creme-acinzentado e só seria transformada no cobiçado linho branco por branqueamento repetido.

Mas o que os Tudors usavam como alvejante? Eles usavam urina humana. O processo de branqueamento era semelhante ao processo bucking, só que ao invés de adicionar ley era adicionado lixívia.

A roupa secaria sendo espalhada no chão ou colocada sobre um arbusto. No inverno tal tarefa seria bastante desafiadora.

Outra tarefa igualmente desafiadora teria sido cuidar dos luxuosos tecidos encontrados nos armários dos ricos. Além de linho muito fino, tecidos como o veludo, seda e até mesmo linho de ouro necessitariam limpeza. Uma rica roupa Tudor muitas vezes tinha bordados, o que era  uma dor de cabeça extra e tapeçarias finas que decoravam as paredes das casas ou a pele que era usada nas roupas no inverno.

Os itens de lã eram escovados e sacuididos semanalmente para manter as traças fora e peles que haviam endurecido eram salpicadas com vinho, deixadas para secar e em seguida, esfregadas até ficarem macias.

A Remoção de manchas de tecidos finos também era um trabalho difícil e Alison Sim acredita que existiam tantas formas alternativas de tratamento de manchas que sugere que era o caso de tentar apenas uma vez, ou seja “acertar ou errar”.

Um exemplo de uma instrução encontrada no ”O livro rentável de remédios aprovados” sugere que tanto para lavar seda quanto ouro deve-se aquecer a água, adicionar sabão permitindo que derreta e em seguida, uma vez que a água esteja quase fria, lavar as roupas. A peça deve ser então seca e estabelecida entre camadas.

Remover manchas de graxa das roupas é bastante difícil hoje em dia. Mas no passado nossos modernos removedores de manchas seriam inúteis quando se trata de remover manchas tais manchas. Então, o que os Tudors faziam? John Partridge recomendava o uso da água em que as ervilhas foram encharcadas e seu lvro sugere a aplicação do sabão de Castela com uma pena limpa.

É claro que como hoje, ao se tratar da remoção de manchas, haviam muitos conselhos para escolher. Se o conselho realmente funcionava era uma questão completamente diferente.

Ou seja de fato, a dona de casa Tudor tinha um trabalho bastante cansativo!

Próximo artigo- Higiene Tudor- Parte 3 – Higiene Pessoal.

Fonte:

Esse artigo foi escrito com base em um artigo do site The Tudor Trail.

A educação das seis mulheres de Henrique VIII

Por serem de classe mais alta, as Rainhas Tudor como Ana Bolena, Catarina de Aragão e Catarina Parr teriam tido quando crianças uma educação muito mais refinada do que uma menina Tudor comum. Algumas delas não frequentavam escolas, pois seus pais podiam pagar-lhes tutores, que lhes ensinariam filosofia, música, caça, escrita, línguas estrangeiras, habilidades caseiras como costura e bordado, governar uma casa e como se portar perante seus senhores (maridos) adequadamente.Este artigo tem como finalidade demonstrar com maiores detalhes a educação e preparação de cada uma:

Catarina de Aragão: A educação de Catarina foi um tema de grande importância para sua mãe, a Rainha Isabel, que certificou se de que sua filha estudasse uma grande variedade de assuntos. Catarina era uma estudante dedicada, capaz de falar espanhol, francês, latim e mais tarde inglês. Estudou genealogia (estudo da história de sua família), a Bíblia e história. Trabalhou para desenvolver suas habilidades na dança, desenho, música e aprendeu a bordar e tecer. Passou por um processo de educação religiosa muito forte e desenvolveu uma fé que iria desempenhar um papel importante mais tarde em sua vida.

Ana Bolena:  Ana começou a ser educada nos Países Baixos na casa da arquiduquesa Margarida da Áustria que governava o país. Causou boa impressão na Holanda com seus costumes e  dedicação aos estudos. Na França concluiu seu estudo de francês e adquiriu um profundo conhecimento da cultura e etiqueta francesa. Também desenvolveu um interesse em moda e filosofia religiosa. Ana sabia ler e escrever, falava inglês e francês, sabia filosofia, teologia, caça, canto, dança, tocar instrumentos e tarefas domésticas como bordado e costura.

Jane Seymour: Jane não foi tão letrada quanto Ana Bolena, Catarina de Aragão ou Catarina Parr. Sabia ler e escrever seu próprio nome e nada mais. Mas era muito bem instruida em administração do lar e em bordado e costura. Haviam relatos de que seus trabalhos eram bonitos e elaborados. Também gostava de caçar.

Ana de Cleves: A educação de Ana de Cleves foi muito básica (pobre), não sendo bem instruída em literatura, música ou línguas estrangeiras. Era boa com costura e foi a mais mal preparada das esposas de Henrique VIII para a vida na corte inglesa. Sua falta de cultura e instrução tornou-se óbvia por sua crença de não ser mais virgem, devido ao fato do rei tê-la beijado  todas as noites antes de dormir. Não tinha conhecimento sobre o que era o ato sexual e quando uma de suas damas descreveu o que era, ficou chocada e disse que nunca havia estado com o Rei desta forma.

Catarina Howard: Foi bem educada como a maioria das damas do período. Sabia ler e escrever, o que é mais do que pode ser dito para outras damas de campania na corte Henrique VIII. Catarina no entanto nunca transcendeu os estreitos horizontes educacionais e intelectuais de sua classe e meio. Criada sob rigorosa e conservadora influência, tinha religião ortodoxa e era ingenuamente crédula. – (Lacey Baldwin Smith de uma tragédia Tudor. Agnes Tilney)-A partir de 1531 a madrasta de Catarina, foi encarregada de sua educação.

Catarina Parr: Foi considerada a esposa mais culta de Henrique VIII. Chegou a escrever livros, como Prayers or Meditations. Foi bem educada desde pequena, começando por sua mãe que a ensinou a ler e escrever. Também aprendeu línguas que incluíam o Latim, Grego e línguas modernas como o francês. Entre seus outros dotes estão teologia e filosofia, assim como atividades domésticas.
Catarina foi diretora da escola real da corte, onde quando pequena foi educada ao lado de sua irmã Ana e outras meninas mais nobres.

Em breve um Artigo sobre a Educação de meninos e meninas nos tempos Tudor.

Coroa perdida de Henrique VIII é recriada quase 400 anos após ser destruída

A coroa perdida de Henrique VIII foi recriada quase 400 anos após ser destruída.

A original foi derretida depois que Charles I foi decapitado, mas não antes de ter sido retratada em minuciosos detalhes em seu retrato…

As pedras e pérolas preciosas da réplica da coroa de Henrique VIII são reais, embora os Tudors se preocupassem mais com o tamanho e cor, do que com a qualidade impecável de suas criações.

A coroa pode ter sido feita para o pai de Henrique VIII, Henrique VII, e foi usada nas coroações de seus filhos Eduardo, Maria e Elizabeth, e depois na de James I e Charles I. A coroa até então era um objeto sagrado: um retrato do pintor Daniel Mytens de 1631 – agora exposto na National Portrait Gallery, (uma das principais evidências na qual os historiadores se basearam para recriar fielmente a coroa) – mostra Charles I, em pé, com o fundo de uma tolha de mesa e cortinas vermelhas de veludo drapeado, em que a coroa é mostrada aos mínimos detalhes…

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Coroa original retratada em pintura de Charles I.

Em 1649, Charles I foi decapitado em Whitehall e a coroa destruída na Torre de Londres. O ouro contido nela foi direto para a Casa da Moeda, derretido para a cunhagem e as joias foram vendidas em pacotes mistos, lembrando pacotes de doces. Desses tesouros de muitos séculos, apenas uma colher do século 12 escapou ilesa.

A coroa de Henrique é mencionada pela primeira vez como “a coroa dourada do rei” em um inventário de suas jóias em 1521. Kent Rawlinson e Aileen Peirce, historiadores da ‘’Palácios Reais Históricos’’(HRP), rastrearam através de inventários posteriores, incluindo um feito após a morte de Henry, em 1547, quando cada armário real foi detalhadamente inspecionado descrevendo desde lençóis até sua coroa e suas 344 pedras preciosas.

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Os inventários mostraram como Henry remodelou a coroa durante seu reinado para reforçar seu novo papel como chefe da Igreja da Inglaterra, substituindo três reis por três pequenas figuras de Cristo. Poucos poderiam ter visto que na parte de trás da coroa, como mostra a pintura Mytens, ele manteve a pequena imagem da Virgem com o Menino Jesus.

Os materiais custaram uma quantia não revelada de cinco dígitos, foram pagos pela HRP. As centenas de horas de trabalho, seguindo fielmente as técnicas metalúrgicas Tudor, incluindo o uso de ouro trançado a mão foram doados por Harry Collins, que se aposentou este ano como joalheiro da coroa depois de terminar a reexibição das jóias da Torre, mas ainda permanece como joalheiro pessoal da rainha.

As pedras preciosas e pérolas da réplica da coroa são reais. As únicas substituídas foram os enormes diamantes por Cristais de Rocha e os três quilos de ouro maciço por peças banhadas a ouro e prata.

A réplica da coroa de Henrique VIII ficará em exposição a partir de 27 de Outubro no Palácio de Hampton Court, na sala do trono real dentro da Capela Real- que reabre para visitações, após sete anos de restauração, onde Henry usava a original em grandes ocasiões de Estado e da Igreja.

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Roupas femininas no período Tudor

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Retrato de Elizabeth I em sua juventude, vestida com um típico traje Tudor.

Hoje vamos conhecer mais a respeito do vestuário para mulheres nobres no reinado de Henrique VIII. Para iniciarmos, é importante notar como a silhueta feminina é retratada de forma cónica ou triangular, enquanto a masculina era grande e quadrada. Para os homens e mulheres da nobreza, os tecidos eram ricos e luxuosos, com as mais finas sedas e cetins e os melhores linhos e veludos.

Cada adorno usado na roupa contribuia ao conjunto completo. Para os olhos modernos, o número de camadas usadas pode parecer excessiva, porém elas todas eram necessárias para um bom conjunto final.

Silhueta femina e masculina no período Tudor.

Silhueta femina e masculina no período Tudor.


Vestuário
Tudor:

Então, quais eram as roupas e camadas usadas ​​pelas mulheres no período Tudor? Na verdade, o número mínimo de camadas usadas eram quatro: a bata (ou chemise), a anágua, o Kirtle(ou túnica) e o Gown (ou vestido). Dependendo do local no reinado de Henrique VIII, outras camadas, tais como o farthingale, forepart e o Partlet também eram usadas. O capelo seria o toque final.

Bata (ou chemise):

Chemise

Chemise

Era uma questão de honra e respeitabilidade ter roupas íntimas limpas, portanto todos buscavam ter uma quantidade suficiente para trocar durante a semana. Quanto mais alta a posição ou status de uma pessoa, mais roupas ela teria disponíveis.

A bata para os mais nobres, era feita de um linho muito fino, sendo ele o mais branco possível. Os decotes e punhos poderiam ser bordados em branco, preto ou vermelho com estilos que iam do exuberante ao simples.

No início do período Tudor, o decote era geralmente quadrado à fim de seguir a linha do corpete, porém mais tarde uma gola alta com um pequeno colarinho pregueado seria usada e reforçada durante o período elizabethano, tornando uma das marcas registradas da época. As mangas teriam conforme mostra a figura, um punho estreito, podendo as vezes conter pequenos babados ou rendas.

Anágua:

“… Uma anágua escarlate, com o colã superior de carmesim e tafetá …”
petticoat- Conta do guarda-roupa real da rainha Maria Tudor. 1554.

O termo tem origem francesa “pettitcoat” e foi usado tanto por mulheres quanto por homens. A anágua feminina era uma saia que podia ser estendida para a parte superior do corpo como um colã. Ninya Mikhaila do “The Tudor Tailor” diz que o corpete poderia ser mínimo, visto principalmente nas costas e ao lado do corpo, a parte da frente, seria uma estrutura que daria apoio a saia, permitindo o uso mínimo de tecido.

A anágua podia ser branca ou vermelha, que na época era considerada uma cor saudável, idéia esta que perduraria até o século XIX.

Kirtle/túnica:

Mulher usando uma Kirtle sobre uma bata.

Retrato de uma mulher usando um Kirtle dourado sobre uma bata.


“4,5 metros de cetim branco para um kirtle.

e 1,8 metros*(apróx.) de tecido vermelho para a base do kirtle “.

- Junho de 1533. Iventário do vestuário para a Coroação da rainha Ana Bolena.
Cartas e Documentos, estrangeiros e nacionais – Henrique VIII, Vol. 6.

O kirtle ou túnica, era uma roupa com finalidade de dar apoio ao busto, criando a famosa silhueta tudor. Ele era usado sobre a saia e à partir de 1540, sobre o farthingale. O corpete do kirtle era endurecido, geralmente com entretelas (um tipo de linho endurecido, que poderia ter um endurecimento adicional com uma espécie de goma, feita a partir de uma mistura de farinha de amido) e detalhes na parte de frente e de trás. O corpete do Kirtle não possuía nenhuma ligação com o moderno ou vitoriano, possuindo uma forma diferente para a cintura e tronco.
Gown/vestido, e mangas:

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Tipos de mangas.

“… Um vestido de cetim vermelho, para ser forrado com tecido de ouro …”
- Coroação da rainha Ana Bolena.  Inventário do Vestuário. Junho de 1533.

O gown, seria o que conhecemos hoje por vestido, era uma das poucas peças que poderia ser vista em sua totalidade por outras pessoas, enquanto a bata e a anágua ficavam escondidas, sendo classificadas como roupas íntimas. O kirtle era geralmente sobreposto pelo vestido, sendo normalmente só era visto na parte acima do decote.

Como o vestido seria a parte mais visível do vestuário Tudor, era nele que os tecidos mais suntuosos e exuberantes eram usados, tais como tapeçarias, veludos, tecidos com ouro, entre outros… Quanto mais alta sua posição, mais trabalhado e caro seria seu tecido.

As mangas no século XVI, eram mangas amplas, hoje conhecidas como ”mangas trombeta” devido ao seu formato, pois começavam justas no braço, alargando conforme sua extensão. As mangas eram uma peça à parte do vestuário tudor, elas eram colocadas após a mulher estar quase toda vestida, sendo algumas vezes amarradas por fitas, abotoadas ou fixadas nos braços, geralmente seguida pelas famosas mangas de pêlos, muito usadas pelas mulheres na França e Inglaterra.

Capelos:

capelos

Capelos franceses. Catarina e Maria usando o capelo, desmentindo o mito de Ana Bolena.

Os capelos mais conhecidos pela maioria são o inglês (Gable Hood ou capelo de empena) e francês, os mais populares durante o reinado de Henrique VIII, que tiveram suas primeiras versões à partir da segunda metade do século XV. Acima vemos o Capelo francês, o famoso capelo de Ana Bolena. É um erro comum acreditar que foi Ana que introduziu este capelo à corte inglesa, sendo que conforme podemos ver na imagem acima, sua antecessora Catarina de Aragão, assim como Maria, a irmã de Henrique, já eram adeptas ao uso deste capelo (Catarina entretanto, preferia o inglês).

Capelo quadrado francês, uma mistura do capelo de empena inglês e do arredondado capelo francês.

O capelo francês:

O capelo francês é caracterizado por sua forma arredondada, em contraste com o angular capelo “Inglês”. Ele era usado sobre uma touca, e um véu negro era conectado à parte posterior. A parte da frente era sempre visível. É semelhante ao kokoshnik russo, embora não possuam nenhuma ligação. Uma variação do capelo francês, denominado capelo francês quadrado também foi muito usada na época do reinado de Maria I, que era uma junção dos capelos inglês e francês.

O capelo Inglês:

O capelo inglês, ou Capelo de empena, foi um tipo de Capelo usado pela mulher inglesa de 1500-1550, assim denominado, pois sua forma pontiaguda lembra a empena de uma casa. O Capelo francês contemporâneo possuia um cortono geral arredondado.

Originalmente era um simples capelo pontudo, com painéis laterais decorados chamados lóbulos e um véu na parte de trás, com o tempo o capelo inglês tornou-se uma complexa construção endurecida com entretelas, com uma volta em forma de caixa e dois tubos em forma de véus pendurados em ângulos de 90 graus; os véus de suspensão e lóbulos podem ser presos em uma variedade de maneiras, para torná-los mais complexos e elaborados.

Primeiros Capelos ingleses, com a ”empena” mais longa.

Capelos ingleses de empena.

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Detalhe de um Capelo inglês.

Para ter uma vestimenta Tudor completa no século XVI, isso culminaria no trabalho de inúmeros artesãos especializados e comerciantes, assim como comerciantes de seda aos têxteis,  dos alfaiates às Costureiras, das bordadeiras aos chapeleiros.

Os retoques finais eram feitos por um mestre ourive. Pérolas e jóias de ouro maçiço eram usadas como pingentes ligados a colares e gargantilhas, ou broches na frente de um corpete, como em decotes, capuzes e detalhes nas mangas.

Vamos entender mais sobre o vestuário masculino em: Roupas masculinas no período Tudor.

Fontes:

Tudor Wiki: AQUI
Six Wives: AQUI
The Anne Boleyn Files AQUI
Wikipedia

Ana Bolena e a doença do Suor Malígno

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Em 1528, o embaixador francês – Du Bellay, perguntou se o relacionamento entre Henrique VIII e Ana Bolena seria forte o suficiente para sobreviver por um longo período de separação. A pergunta do embaixador logo seria respondida, quando em 16 de Junho de 1528, uma das damas de compania de Ana caiu doente com a temida doença do suor maligno, ” uma doença altamente contagiosa e frequentemente fatal”, que Eric Ives acreditava ter sido uma infecção de vírus semelhante ao da gripe espanhola de 1918 (pág. 100).

Como de costume, quando havia qualquer sinal da doença, Henrique VIII fugia de casa em casa em busca de um refúgio da epidemia assassina. Ana Bolena voltou para a casa de sua família em Hever e o rei, acompanhado pela rainha Catarina, “começou a mais meticulosa rodada de práticas religiosas” (Ives, pág. 100).

No entanto isso não impediu Henrique de escrever para sua amada Ana, para tranquilizá-la, de que: “poucas mulheres tinham esta doença”, mas apesar das palavras de encorajamento do rei, Ana Bolena caiu doente, enquanto esteve em Hever Castle. Seu pai, Thomas Bolena também adoeceu do suor durante esta epidemia (Starkey, pág. 331).

Ao ouvir sobre sua súbita doença, o rei escreveu: “…que ficaria feliz em ter metade dela para que Ana ficasse bem… “(Cartas de amor a Ana Bolena, pág. 22).

Em 22 de junho, mesmo dia em que Ana Bolena ficou de cama, William Carey, marido de Maria Bolena, também sucumbiu à doença (Weir, pág. 186).

William Carey, marido de Maria Bolena, irmã de Ana Bolena, pintura atribuida a Hans Holbein the Younger (o Jovem).

O rei respondeu enviando seu segundo melhor médico, William Butts, “O médico em quem coloquei mais confiança,quando poderia me dar mais alegria, agora está ausente…” (Ives, pág. 101).

Butts carregava uma carta de “solidariedade e apoio” de Henrique VIII, assinada com as iniciais ‘H’ e ‘R’   flanqueando um coração e ‘AB’ (Ives, pág. 101). Henry pediu a Ana “…para seguir os conselhos dele (Dr. Butts) sobre sua doença, para que assim eles em breve pudessem ficar juntos novamente…”, e que ele (o rei) então ficaria “mais feliz do que se tivesse todas as pedras preciosas do mundo” (Love Letters to Anne Boleyn, Pg. 23).

Felizmente tanto para Butts quanto para Ana, ela e seu pai se recuperaram.

Os favores de Butts também “Não passariam despercebidos. No Natal de 1528, ele havia sido nomeado Médico Real e gozava de um saudável salário de 100 libras por ano (Starkey, pág. 332).

Ele também passou a forjar uma estreita relação com Ana, cuidando tanto de sua saúde física, quanto de seu bem-estar espiritual (Starkey, pág. 332).

Cardeal Wolsey aconselhou o rei e seu conselho sobre quais preucações tomar com relação ao curso que seguia a doença do suor. Brian Tuke informou ao Rei:

“Agradeceu sua graça: e mostrou-me primeiramente a maneira como o processo infeccioso se formava; como as pessoas foram infectadas; se estavam fora de risco, se necessitavam ficar em observação; quantos foram mortos; que Ana, e Lord Rochford estavam infectados;  do perigo que eles estavam correndo  retornando do suor antes do tempo; do esforço de Mr. Butts, que foi junto com eles e retornou; e muitas outras coisas sobre esses assuntos e finalmente sobre sua recuperação perfeita. “(Ives, pág. 101)

O rei estava tão contente pela total recuperação de Ana, que enviou a ela cartas e presentes, assim como Cardeal Wolsey.

Dentro de um mês após o período de quarentena imposta, Ana Bolena estava de volta a corte e Du Bellay teve uma clara resposta à sua pergunta anterior. A separação não teve efeito negativo sobre a relação de Ana e Henry. Muito pelo contrário, no retorno de Ana, Du Bellay observou que “O rei estava em tamanho extase, que apenas Deus poderia tirá-lo desta condição… ” (Ives, pág. 101).

O tempo em que Henry e Ana haviam passado distantes, não diminuíra sua paixão por Ana, ao invés disso, apenas alimentou o fogo de seu coração e o fez afeiçoar-se ainda mais…

É importante agora observarmos mais detalhadamente sobre o “Suor malígno”, para que possamos compreender o quão sortudos Ana e seu pai foram em ter sobrevivido. Especialmente quando consideramos que tal doença custou a vida de muitos que a contrairam, como Charles Brandon e os filhos de Catherine Willoughby, Henry e Charles, com poucas horas de diferença um do outro em 1551.

Quando a doença Tudor do Suor Malígno apareceu?

A doença do suor, uma das mais temidas e mortais do período Tudor, primeiramente deu as caras em 1485. Ela chegou com muita ferocidade, deixando muitos mortos.

De 1485 até 1507, quando um surto menos generalizado da doença ocorreu, a Inglaterra ficou praticamente adormecida.

Em 1517 ela novamente reapareceu, desta vez resultando em uma epidemia ainda mais mortal. Em Oxford e Cambridge a doença era freqüentemente fatal e em algumas cidades, dizimou metade de sua população.

Já em 1528, a doença do Suor voltou com força total, rompendo em Londres e rapidamente espalhando-se por toda a Inglaterra. A alta taxa de mortalidade em Londres obrigou a corte a se romper, abandonando o curso de verão e fugindo em busca de segurança.

Nesta ocasião, a epidemia atravessou o Canal Inglês e espalhou-se pela Europa, sucumbindo muitos à doença dentro de algumas semanas.

Foram relatados casos na Suíça, Dinamarca, Suécia, Noruega e também surgiram casos em Antuérpia e Amsterdã.

Henry Brandon, 2º Duque de Suffolk

Até o final do ano, a epidemia estava com tudo, mas desapareceu para nunca mais voltar para a Europa continental.

A Inglaterra não teve a mesma sorte e em 1551 foi reportado um grande surto da doença.

Quais eram os sintomas da doença do suor?

Os sintomas começaram muito de repente e foram típicos de uma infecção viral ou gripe: Dores de cabeça, calafrios, dores musculares e grande cansaço.

Isto era seguido por calores e transpirações, acompanhados de dores de cabeça e delírios. O paciente também sofria dores no peito e dificuldade para respirar.

A morte geralmente ocorria dentro de 24 horas após o primeiro sintoma, embora em alguns casos, o paciente chegasse a morrer no prazo de algumas horas após contrair a doença.

Qual foi a causa desta assustadora doença?

Alguns sugerem que a doença do suor foi trazida em 1485 da França, pelos exércitos de Henrique VII.

Infelizmente, a origem e causa exatas são desconhecidas, embora muitos historiadores concordem que provavelmente, tenha sido relacionada com a doença moderna, conhecida como Hantavírus. O problema com esta teoria é que a Síndrome Pulmonar por Hantavirus é uma “doença mortal transmitida por roedores infectados através de urina, fezes ou saliva”, já a doença do suor era transmitida de humano para humano.

Além disso, a maior parte dos infectados pela doença eram homens de status elavados e saudáveis, embora as mulheres não fossem imunes. Provavelmente os Tudors mais pobres teriam entrado com mais frequência em contato com roedores e suas fezes que os Tudors mais ricos.

Outra teoria proposta é uma febre recorrente, transmitida através da picada de piolhos e carrapatos, embora isso novamente não explique por que a doença do suor foi mais dominante na alta sociedade.

Charles Brandon, 3º Duque de Suffolk

Outro fato que descartaria essa hipótese é que o Hantavírus deixava uma crosta negra no local da mordida e o pessoal encarregado dos cuidados e enfermagens dos afetados pela doença na época Tudor não teriam feito nenhum relatório a respeito desse detalhe tão importante.

Assim, parece que a doença do Suor Malígno é outro mistério Tudor que vai continuar a nos intrigar por muitos e muitos anos…

Referencias e Fontes:

E. Ives The Life and Death of Anne Boleyn, 2004.

Love Letters of Henry VIII to Anne Boleyn, n.d.

D. Starkey, Six Wives: The Queens of Henry VIII, 2003.

A. Weir, The Six Wives of Henry VIII, 2007.